Casa dos Viscondes de Midões

Description level
Fonds Fonds
Reference code
PT/ADVIS/FAM/CVMD
Title type
Atribuído
Date range
1528-11-25 Date is certain to 1893-07-16 Date is certain
Dimension and support
5000 doc.
Biography or history
Roque Ribeiro de Abranches Castelo Branco, 1º Visconde de Midões, nasceu na vila Midões, a 15 de julho de 1770. A origem da sua família perde-se no tempo e resultará da junção de várias linhagens de famílias, originárias da Beira. Uma destas linhas é a família Costas Godinhos, onde o antepassado mais remoto será Isabel Godinho da Costa, filha de Simão da Costa Godinho e de Isabel Ribeiro, casados em 1600. Isabel Godinho da Costa nasceu em Midões, onde viveu com seu marido, Pedro Ribeiro Furtado. Casaram em 1630 e em 20 de fevereiro de 1631, nasceu Brites Monteiro Godinho, que iria dar continuação a esta linhagem. Brites casou com Manuel Roque de Abreu, natural de Anceriz (membro da importante família dos Abreus, que se espalhou entre o Mondego e Alva), no dia 18 de fevereiro de 1648, em Midões. De Manuel Roque de Abreu e sua mulher nasceram, pelo menos três filhos: Roque Ribeiro de Abreu, Nicolau Ribeiro de Abreu e Brites Monteiro de Abreu. É desta que descendem os Viscondes de Midões. Brites Monteiro de Abreu casou no lugar de Cabanas, concelho de Oliveira do Conde com João de Abranches Castelo Branco, em 28 de outubro de 1687. João de Abranches Castelo Branco, filho de Manuel de Figueiredo Castelo Branco (irmão de João Almeida Castelo Branco, senhor do morgado de Santar) e de Leonor de Abranches (natural de Travanca de São Tomé), foi baptizado em 4 de dezembro de 1645, na freguesia de São Cristóvão de Cabanas, onde residiam os pais. Era irmão do Padre Manuel de Figueiredo Castelo Branco, Arcipreste de Besteiros, também morador em Cabanas. João de Abranches e sua esposa não tinham domicílio certo, tanto moravam em Cabanas como em Midões. Do seu casamento houve três filhos: Luís Teotónio de Abranches Castelo Branco (baptizado a 25 de fevereiro de 1695, faleceu a 5 de dezembro de 1772, em Cabanas), Filipe de Abranches Castelo Branco (baptizado a 8 de maio de 1691, em Cabanas) e Roque Ribeiro de Abreu (baptizado a 2 de agosto de 1692, em Cabanas, faleceu a 19 de janeiro de 1777, em Midões). Luís Teotónio de Abranches Castelo Branco casou com Joana de Abranches Magalhães, foi fidalgo da casa real e foi habilitado para o Santo Ofício. Filipe de Abranches Castelo Branco teve casa em Cabanas e foi um homem de grande importância pelos cargos e honrarias que teve. Foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real, formou-se em Cânones em 1712 e seguiu a carreira das letras. Foi juiz de fora de Viseu (carta de 15-12-1715), corregedor da comarca de Torre de Moncorvo (carta de 16-02-1720), provedor dos órfãos e capelas de Lisboa (carta de 15-03-1725) e desembargador da Casa da Suplicação (carta de 25-01-1731). Foi ainda alcaide-mor de Arraiolos, cavaleiro professo da ordem de Cristo (carta de 04-07-1725) e comendador de São Pedro de Lourosa na mesma ordem (carta de 02-09-1725), familiar do Santo Ofício (carta de 14-12-1725) e senhor do morgado de Nossa Senhora da Piedade. Casou com Doroteia Luísa da Cunha e depois de viúvo ordenou-se sacerdote e foi deputado da Mesa da Consciência e Ordens (carta de 22-11-1740). Comissário do Santo Ofício por provisão de 24 de outubro de 1743 e conservador geral das ordens por provisão de 20 de abril de 1758. Dr. Filipe de Abranches Castelo Branco e Doroteia Luísa da Cunha viveram em Cabanas e tiveram dois filhos: Luís de Abranches Castelo Branco e Manuel da Cunha Sardinha. Luís de Abranches Castelo Branco nasceu em Lisboa, foi fidalgo da Casa Real cavaleiro professo da Ordem de Cristo (carta de 26-11-1744), familiar do Santo Ofício em abril de 1746, alcaide-mor de Arraiolos por decreto de 18 de julho de 1746. Foi comendador de São Pedro de Lourosa na ordem de Cristo (carta de 20-01-1776) e foi referido como intendente na Nau dos Quintos, em 1761. Casou com sua prima Margarida Tomásia de Abranches Castelo Branco, em 1748, em Várzea de Cavalos e não deixaram geração. Roque Ribeiro de Abreu foi baptizado em Cabanas no dia 2 de agosto de 1692, matriculou-se em Cânones entre 1709 e 1711 e foi familiar do Santo Ofício por carta de 2 de agosto de 1717. Foi cavaleiro professo da Ordem de Cristo (carta de 27-09-1726), capitão das ordenanças de Midões, em 1725, por mercê de D. João V, capitão-mor de Midões em 1741, fidalgo cavaleiro da Casa Real com 1.600 reis de moradia por alvará de 20 de maio de 1758 e senhor da casa de Midões onde faleceu a 18 de janeiro de 1777. Foi instituidor da capela de Nossa Senhora do Rosário, casou com Josefa Luísa caldeira de Lemos, em Nogueira de Cravo a 25 de maio de 1723. Foram pais de Luís Ribeiro de Abreu Castelo Branco, baptizado a 20 de julho 1724, que veio a ser fidalgo-cavaleiro da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo (carta de 07-05-1744) e familiar do Santo Ofício por carta de 20 de junho de 1748, em cujo processo é referido como pessoa nobre, herdeiro de toda a casa de seus pais. Casou em Midões a 2 de fevereiro de 1766 com Teresa Leonor de Vasconcelos Sotomaior e Mendonça e tiveram pelo menos os seguintes filhos: Roque de Abreu Abranches Castelo Branco, Francisco de Paula Abranches de Vasconcelos, José de Vasconcelos Castelo Branco e António de Vasconcelos Castelo Branco. Dos quatro filhos de Luís Ribeiro de Abreu, o primogénito, Roque Ribeiro, foi o 1º Visconde de Midões. Nasceu a 15 de julho de 1770, em Midões e faleceu a 6 de abril de 1844, na casa do Aido, em Cabanas. Matriculou-se em Filosofia em 1788 e foi bacharel em Direito. Fidalgo cavaleiro da Casa Real foi capitão-mor de Midões por patente de 20 de março de 1812 e senhor da casa do Ribeirinho na mesma vila e de muitos vínculos. Participou na revolução de 1820, tendo sido membro da Junta Provisional. Declarado benemérito da pátria pelo 1º congresso constitucional, foi deputado da Nação às Cortes de 1821 e em sucessivas legislaturas, par do reino por carta régia de 1 de setembro de 1834. Devido à sua luta pelas causas liberais, no ano de 1837 foi-lhe atribuído, através de D. Maria II, o título de 1º Visconde de Midões. Casou em Barcelos a 8 de setembro de 1806 com Rosa Inácia de Araújo e Azevedo. Sem geração legítima, terá tido de D. Antónia Margarida quatro filhos legitimados: César Ribeiro de Abranches Castelo Branco, 2º Visconde de Midões, Aristides, Júlia e Modesta Flamínia que casou com o seu tio, irmão mais novo do seu pai, António de Vasconcelos Abranches Castelo Branco. César Ribeiro Abranches Castelo Branco nasceu em 1803 e faleceu em 1889. O título de Visconde de Midões foi-lhe renovado por carta de 1870.Como seu pai teve o foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real e foi condecorado com as medalhas da Liberdade e agraciado com a carta do Conselho. Casou com D. Amélia Ribeiro Abranches, filha de António de Vasconcelos Abranches, seu tio direito, e de D. Modesta Flamínia, sua irmã. Deste matrimónio houve vários filhos, parecendo que só de um deles, D. Maria dos Prazeres Ribeiro Abranches, casada com Silvério Coelho Pais do Amaral, de Beijós existe descendência. Fez parte da descendência desta família o Cônsul de Portugal em Bordéus Aristides de Sousa Mendes, neto de Maria dos Prazeres Ribeiro de Abranches, filha do 2.º Visconde de Midões. A família dos Viscondes de Midões por casamento com outras famílias importantes e por heranças várias consegue reunir no seu património várias casas e muito património, na zona geográfica do distrito de Coimbra e Viseu: Arganil, Cabanas, Midões, Pombeiro, Travanca de Lagos, Travanca de S. Tomé e Várzea de Cavalos.
Geographic name
Midões (Tábua, Coimbra)
Custodial history
Documentação proveniente da Casa do 1º Visconde de Midões, onde se encontravam num escritório com condições de preservação muito deficientes. Esta documentação foi recolhida, em 1995, pelos descendentes da família, Henrique Abranches Pinto Ramos da Costa e Tiago dos Santos Sousa Mendes. Estes procederam às operações necessárias para a sua conservação.
Acquisition information
Documentação doada pelos familiares descendentes dos Viscondes de Midões, José Roque de Abranches Jordão, Henrique Abranches Pinto Ramos da Costa e Tiago dos Santos Sousa Mendes, em 3 fases: ...e 2008.
Scope and content
Diversos tipos de documentos relativos às sete casas que pertencem à família de Midões, desde escrituras várias, a documentos judiciais, testamentos, até documentos relativos à contabilidade das casas, despesas, receitas, dívidas, obras, até simples cartas.
Accruals
Não se prevêem ingressos adicionais.
Arrangement
À data da entrada dos documentos no Arquivo Distrital de Viseu, a documentação não estava organizada. Alguns documentos encontravam-se agrupados por tipologias e havia apenas um maço, intitulado Arganil, que teria sido já analisado e os documentos descritos, por um parente da família

A organização do fundo obedeceu à natureza dos documentos, tendo sido agrupados em sete subfundos: Casa de Arganil, Casa de Cabanas, Casa de Midões, Casa de Pombeiro, Casa de Travanca de lagos, Casa de Travanca de São Tomé e Casa de Várzea de Cavalos. Foram ainda constituídas séries dentro de cada subfundo que se encontram ordenadas alfabeticamente. Dentro de cada série procedeu-se á descrição a nível do documento simples. Estes, foram organizadas cronologicamente.
Conditions governing use
Documentação privada, tornada pública após doação.
Language of the material
Por (português)
Physical characteristics and technical requirements
Estado de conservação razoável, pontualmente mau.
Other finding aid
Guias de remessa
Creation date
7/15/2009 12:00:00 AM
Last modification
6/28/2016 3:07:22 PM
Record not reviewed.